Petra e uma Esperança que não Entregou Paz

Por Abraão Montes 

* Este texto foi escrito por um grande fã da banda e não reflete a opinião do site Petra Tribute.

Quando em meados de 2025 começaram os rumore de um novo álbum de inéditas do Petra, o lado fã obviamente se alegrou pois eram mais de 20 anos de espera por algo do tipo e se a desconfiança/expectativa entre os lançamentos de uma banda que bienalmente lança material já existem, o que dizer sobre os sentimentos acerca de um novo trabalho após tanto tempo? Qual seria o estilo, o que os “novos integrantes” iriam agregar e qual a mensagem que a banda iria entregar?
Bem, liricamente o Petra continuou com o seu padrão de excelencia e firmeza em sua fé e chama a participação a presença de Jeff Hartmann como co-autor de algumas letras. Nem tem muito o que se falar mais, porém infelizmente esse não é o caso quando chegamos ao aspecto musical da obra.
“Hope” , se me permitem o trocadilho, tinha despertado uma esperança em cada fã do Petra, não tinha quem não estivesse minimamente empolgado com este novo álbum. E o começo do camibnho desse álbum foi o single “Deliver Us” que de fato cumpriu o seu papel e entrega um belo exemplo do que viria (e foi), o álbum. O problema é que essa entrega não justificou o ‘hype’ criado e acabou por mostrar um álbum que ainda que tenha boas composições é simplesmente estranho de se ouvir e que não tem o apego de outras obras, mesmo aquelas de menor quilate ou apreço presentes na extensa discografia do Petra.
Diga com sinceridade: quando chegava um novo álbum do Petra, quantas vezes você o ouvia, quanto tempo demorava pra uma música fixar em sua mente e você sair cantarolando por ai? Essa é uma sensação inexistente no pós audição de “Hope”. Claro, a modernidade na forma de se consumir música alterou a nossa experiência de apreciação. Não temos mais o tempo para pegar um cd, tirar o plastico, colocar o disquinho no rádio e ouvi-lo enquanto folheamos o encarte (até porque, quase não se tem mais cds né).
Mas voltando ao tópico da audição em si. O Petra sempre teve composições com uma presença e ‘alma’ únicas e mesmo em trabalhos mais fracos, era comum acabar uma audição e começar outra, acabar essa nova e começar mais uma, e assim vai. Tal apreço não é possível com “Hope” – e não digo isso com alegria, pois o mais queria era um baita álbum do Petra, mas não é isso que nos foi entregue. Você tem uma primeira audição movida pela curiosidade e ansiedade, mas a segunda já é por uma ‘teimosia’ de tentar recriar os bons momentos do passado, mas eles acabam não vindo e no final, a gente se levanta, segue a vida e coloca outra playlist pra seguir na trilha da vida
Muitos esperavam por um material épico e icônico, mas “Hope” é insosso e raso e que numa linguagem mais vulgar, “não fede e nem cheira”. E tudo isso traz uma estranhesa pois o álbum tem uma boa gravação e produção, ele é bem executado mas não tem vida, não tem presença. É um material estranho pois a sua existência é desnecessária no final das contas. Um novo álbum ao vivo com o set list das turnês mais recentes e talvez umas duas inéditas em estudio seria um pacote muito mais honraro parao  que poderia ser o ato final dessa banda lendária.
Pode ser uma culpa minha como fã na verdade, mas o Petra merecia um “canto do cisne” melhor. A grande verdade é que a gente sabe que eles não tem obrigação nenhuma conosco e fazem o que fazem por amor a obra e pelo “comichão” que ataca cada artista existente, de sempre estar experimentanto e criando algo.
No fim das contas “Hope” não concretizou a esperança que eu tinha, mas me trouxe uma agonia que eu nunca tive em relação a banda, pois eu me sinto completamente apático em relação a ele, sendo o que mais queria é que fosse algo digno de dormir na minha cabeceira e ser o primeiro e o último disco a ser ouvido no dia a dia da minha vida.
Petra sempre será uma banda de imenso valor e de uma história inigualável, mas eu poderia tranquilamente viver essa história sem esse capítulo final chamado “Hope”…

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